Seu Ademar tem 72 anos e voltou a varrer rua faz um tempo. Não foi escolha, foi o neto.
O Pedrinho tem seis anos e nasceu com uma condição difícil. Precisa de cuidados certos todo santo dia, sem atraso se falha um pouco, o menino perde a cor e amolece na hora.
A família já viu isso acontecer de perto mais de uma vez. Depois que passa, ninguém dorme direito por dias.
A aposentadoria do Seu Ademar foi cortada. O salário de gari virou o único dinheiro fixo que entra na casa.
A Roseli, filha dele e mãe do Pedrinho, faz diária a semana inteira e cria o menino sozinha. Os dois somam tudo na mesa da cozinha, e mesmo assim mal sobra depois do tratamento.
O doutor já disse o que resolveria de verdade: um aparelho que fica grudado, mede o açúcar e libera a insulina sozinho, na hora certa. Com ele, o Pedrinho vive como qualquer criança da idade dele.
Esse aparelho custa mais do que o avô guarda em meses. Nunca deu nem pra começar a juntar.
Ademar trabalhou desde os quatorze anos, criou a filha na vassoura, nunca pediu nada a ninguém.
Aos 72, ele tá pedindo pela primeira vez na vida e a primeira vez não é por ele.
O botão aqui embaixo é onde essa história pode começar a mudar: